Porquê o blogue? E um Webring?

Eunice Afonso

“Um blog colectivo pode conter ligações para os blogs pessoais de cada elemento que o compõe e também conter ligações para outros blogs colectivos. Desta forma, é possível produzir-se uma rede de blogs, afectos a um interesse comum que une as várias partes, criando assim autênticas comunidades virtuais”. A esta rede de blogs damos o nome de Webrings. ( Ensinar e aprender com a tecnologia).

“O conceito de webring surgiu originalment em 1994 com o EUROPA (Expanding Unidirectional Ring Of Pages), criado por Denis Howe. Em 1995, Sage Weil, que havia implementado um código para melhorar a funcionalidade de um webring, criou uma empresa denominada “WebRing”. A empresa que operava os webrings dentro de uma estrutura peer to peer, tinha em 1997 10 mil anéis. Em 2000 o número chegava a 80 mil, e Sage, impossibilitado de gerenciar esse montante de informação, vendeu a empresa à Starseed.” (wikipédia).


Inclusão – Sessão 1; Exemplo do blogue como ferramenta de aprendizagem

http://blogoanalise.blogspot.com/

Durante o ano letivo são ministradas cerca de 120 sessões, em cada tema do currículo de EVT; procurarei introduzir a prevenção da exclusão.

Exemplo de uma sessão:

Tema do currículo de EVT

                                                                                                            

Desenho à vista

O desenho é uma forma de comunicação. Permite-nos transmitir aos outros aquilo que nós idealizamos.

Desenhar à vista é algo que se pode aprender tal como se aprende a ler e a escrever. É um processo em que se podem utilizar auxiliares como o ponto de fuga, as proporções, a simetria, as distâncias, etc.

Aprender a ver e aprender a desenhar são capacidades que partilham a mesma faixa cerebral, por isso, ao desenvolver uma estamos a desenvolver a outra.

Estamos no mês de Outubro e vamos iniciar as nossas sessões sobre a inclusão/exclusão.
Do termo inclusão faz parte a compreensão das necessidades do outro, diferente de nós, através da criação de mecanismos que permitam a participação de todos, cada qual ao seu ritmo, acabando, desta forma, com a exclusão, o isolamento, de um determinado grupo de pessoas.

Tema do currículo oculto
– A prevenção da exclusão

Sub-tema
– A inclusão

População
alvo
– alunos do 2º ciclo, da disciplina de Educação Visual e Tecnológica

Objectivos:

• Desenvolver a capacidade criativa;

• Desenvolver a capacidade de compreensão e aceitação da diferença;

Recursos humanos:

• Par pedagógico ?, alunos

• Comunidade escolar

Recursos materiais:

Papel vegetal

Papel cavalinho

Lápis de grafite HB

Lápis de cor

Borracha

Atividades:

• Visita de estudo a um centro de reabilitação:

As crianças vão observar o meio e desenhar à vista as instalações do centro.

As crianças vão observar em que medida as inovações tecnológicas ajudam as pessoas. Interacção com as pessoas do centro para compreenderem as suas necessidades.

• Dialogar sobre a diferença:

Tomar consciência de que cada um em determinada fase da sua vida pode tornar-se alguém diferente da maioria.

• Actualização do
blogue:

Registar no blogue as impressões sobre a visita junto dos seus desenhos.

Avaliação:

Observação direta do interesse/empenho e comportamentos ao longo das sessões. Efeitos na comunidade escolar.


Inclusão – Sessão 2; Exemplo do blogue como ferramenta de aprendizagem

Exemplo de uma sessão:

Tema do currículo de EVT
um módulo e um padrão                                                                     –um módulo e um padrão
Equipamento/Comunicação – Modulo/Padrão

Comunicar é informar, transmitir uma mensagem, a comunicação é, nos nossos dias fundamental para ligar as pessoas como, por exemplo, o nosso blogue.

O padrão obtém-se repetindo um modulo diversas vezes e pode obter-se também repetindo situações de presença e ausência do modulo, etc.

Através do padrão comunicamos de forma a simplificar processos de organização.

Tema do currículo oculto – A prevenção da exclusão

Sub-tema – A inclusão

População alvo – alunos do 2º ciclo, da disciplina de Educação Visual e Tecnológica

Objectivos:

• Identificar sinais, símbolos e ícones;

• Desenvolver projetos para implementação de sistemas educacionais e inclusivos.

Recursos humanos:

• Par pedagógico ?, alunos

• Comunidade escolar

Recursos materiais:

Papel vegetal

Papel cavalinho

Lápis de grafite 3B

Lápis de cor

Canetas de feltro

Atividades:

• Dialogar sobre as características do módulo e a sua importância para a definição de um padrão.

As crianças vão observar um PowerPoint acerca do módulo e do padrão, assim como, sobre a importância dos sinais, símbolos e ícones;

• Identificação de Módulos e Padrões

As crianças vão observar o ambiente á sua volta e identificar módulos e padrões e acrescentar ao blogue a actividade desenvolvida.

• Verificar a facilidade de leitura da sinalética da escola por todos os públicos

As crianças vão observar a sinalética afixada na escola e verificar a sua validade para os diversos públicos do espaço educativo.

Avaliação:

Observação direta do interesse/empenho e comportamentos ao longo das sessões. Efeitos na comunidade escolar.


Inclusão – Sessão 3; Exemplo do blogue como ferramenta de aprendizagem

Exemplo de uma  sessão:

Tema do currículo de EVT



Ambiente/Textura

A terra é o planeta em
que vivemos, é formada pelo solo, pelos rios, pelos mares, por plantas e animais. Tem, portanto, um ambiente próprio para a vida. O ambiente pode ser natural, rural e urbano. Equilibrado ou desequilibrado, tudo depende de nós.

As texturas (a pele das ccoisas), tal como o ambiente, como veremos, também podem ser naturais ou artificiais

Tema do currículo oculto
– A prevenção da exclusão

Sub-tema
– A inclusão

População alvo – alunos do 2º ciclo, da disciplina de Educação Visual e Tecnológica

Objectivos:

• Distinguir textura natural de textura artificial;

• Valorizar a diversidade e a singularidade das pessoas;

Recursos humanos:

• Par pedagógico ?, alunos

• Comunidade escolar

Recursos materiais:

Papel vegetal

Lápis de cera

Atividades:

• Dialogar sobre as características da textura natural e da textura artificial:

As crianças vão observar um PowerPoint sobre as características da textura natural e a textura artificial.

• Recolha de texturas

As crianças vão recolher diversas texturas (naturais e artificiais) no interior o no exterior da sala de aulas e acrescentar ao blogue a actividade desenvolvida.

Avaliação:

Observação direta do interesse/empenho e comportamentos ao longo das sessões. Efeitos na comunidade escolar.


Inclusão – Sessão 4; Exemplo do blogue como ferramenta de aprendizagem

Durante o ano letivo são ministradas cerca de 120 sessões, em cada tema do currículo de EVT; procurarei introduzir a prevenção da exclusão.

Exemplo de uma sessão:

Tema do currículo de EVT



Comunidade – A comunidade é o espaço que habitamos e em que vivemos. As pessoas, as ruas, os jardins, os animais, o trabalho e a cultura. Tudo isto constitui a nossa comunidade.

Tema do currículo oculto
– A prevenção da exclusão

Sub-tema
– A inclusão

População alvo – alunos do 2º ciclo, da disciplina de Educação Visual e Tecnológica

Objectivos:

• Constrói o hábito de escuta do outro;

• Problemática do sentido;

• A imagem na comunicação;

• A organização do espaço;

• Não diminuir as pessoas devido à raça, idade, sexo, problemas de saúde, deficiências ou condição social.

Recursos humanos:

• Par pedagógico ?

• Comunidade eescolar

Recursos materiais:

Bata

Sebenta

Batata (carimbo, uma letra em cada batata)

Guaches

Canetas de feltro

Atividades:

• Dialogar sobre os conceitos de Inclusão/exclusão:

As crianças vão observar um PowerPoint acerca de conceitos de Inclusão/exclusão.

• Brainstorming acerca da inclusão:

As crianças vão carimbar na sua t-shirt/bata de EVT a expressão “sou inclusivo” e acrescentar ao blogue da inclusão o motivo pelo qual se consideram inclusivos.

• Comparação do brainstorming desta com o da primeira sessão:

Registo da actividade na sebenta. Relato dos novos conteúdos do nosso blogue desde a última sessão.

Avaliação:

Observação direta do
interesse/empenho e comportamentos ao longo das sessões. Efeitos na comunidade escolar.


Eu não sou como os outros

A partir de um bébé inconsciente, inacabado, fomos, pouco a pouco, fabricados por todos os contributos do mundo que nos rodeia. Lançando mão de todos os recursos, devorando tudo, desenvolvemo-nos sem preocupações, às cegas, empanturrados de papas, de conselhos, de bandas desenhadas, de afecto, de repreensões e de televisão.

Chega então a idade de olharmos para nos próprios: quem é este ser em que me transformei? O que é que vale? Examinamos o olhar dos outros e temos medo; pois muitas vezes esse olhar trespassa-nos sem nos ver (serei insignificante?), ou chega carregado de ironias e desprezos (serei ridículo?). Vemo-nos ao espelho e ficamos decepcionados (…). Esperamos a resposta da escola, que de modo algum nos satisfaz, porque esta mais parece uma enorme máquina destinada a impor-nos regras, do que um organismo capaz de se interessar por cada um de nós. Mais tarde surge o emprego onde somos obrigados a representar papéis, a moderar a nossa criatividade e a esconder sentimentos nobres.

Serei belo? Serei inteligente? A resposta a estas duas perguntas lancinantes é: diferente dos outros. Mas serei pior? Ou serei melhor? Se nos considerarmos piores ficamos desgostosos, submetemo-nos e aceitamos, a pouco e pouco, a fatalidade de um destino medíocre. Se, pelo contrário, nos convencemos de que somos melhores, glorificamo-nos, tentamos dominar e por fim destruímo-nos a nós próprios deixando que dois venenos nos invadam: o desejo de poder e o desprezo pelos outros.

Não haverá, então, uma resposta conveniente? De facto, essa resposta não existe porque a pergunta não tem sentido. Está baseada num erro lógico: a substituição de diferente por inferior ou superior. Não devemos negar as diferenças mas antes enriquecer-nos com elas, comprazer-nos nelas e, para isso, olhá-las de frente, determinar a sua natureza e compreender a sua origem.

Eu não sou como os outros. É claro, porque o meu património genético, fruto de uma dupla lotaria, é único; como única é a aventura que vivo. O que tenho em comum com todos os outros é o poder de, a partir do que recebi, participar na minha própria criação.

Mas é preciso que mo permitam.
E para isso contribuíram os meus pais, cujo óvulo e espermatozóide continham todas as receitas de fabricação das substâncias que me constituem.
E a minha família, pelo alimento, pelo calor, pelo afecto, que me permitiram crescer e estruturar.
E a escola que me transmitiu conhecimentos acumulados pela humanidade desde que esta procura conhecer-se e conhecer o universo.
E todos os que me amaram, com o seu insubstituível amor.

Mas sou eu que tenho que concluir a obra, que tenho que colocar a trave mestra. Esqueçam o modelo que gostariam que eu fosse.
Não sou obrigado a realizar o sonho que imaginaram para mim; isso seria trair a minha natureza de homem. Para que eu seja verdadeiramente um homem, devem oferecer-me mais uma coisa: a *liberdade* de vir a ser o que escolhi.


Inclusão perspetivas

Senti-me, durante anos, presa a um corpo que já não me obedecia. Estranhava-o mas era meu, estava viva e seria absurdo revoltar-me ou sentir-me pequenina. Muitos foram os dias em que desejei a morte, (…) e a vida tem valido a pena apesar de ter dificuldades acrescidas.

EUNICE

Para além da norma. Surpreendente!

Surpreende pela tenacidade, pela sua capacidade de superar o sofrimento de uma vida que já não obedece à gramática da normalidade.

Desconcertante, muitas vezes.

Com a sua inquietude, com o seu caos, com a sua ambiguidade, com a sua impulsividade (explosiva), com a sua lucidez também. Ninguém pode julgar…

Não é possível saber como poderíamos viver depois de um acontecimento como este.

A ciência produziu alguma luz sobre o funcionamento do cérebro, mas muito permanece por desocultar.

Deveremos procurar compreender para além da norma, de ser capaz de esquecer a tranquila quietude dos nossos hábitos.

Esta é a história de um caso, de uma vida que num determinado momento sofreu uma rotura, um desvio. O seu percurso é sobretudo a história da construção de novos sentidos partilhados entre a razão técnica e a razão do que é humano.

Depois do ponto zero já fez muitos progressos, outros mais virão, muitos mais virão certamente!

Admiro a sua força!

Sandra Guerreiro